20.11.09

Amantes reflexivos

Como vivenciar uma relação amorosa prestes a explodir...de tanto amor e ódio? Arnaldo Jabor retrata com o seu Eu sei que vou te amar as vicissitudes de um casal, em plena crise existencial-sexual: o foco é justamente nos dois, o masculino e o feminino em auto-questionamento. O casal é personificado por Fernanda Torres e Thales Pan Chacon, em química e sintonia interpretativa. A abordagem é direta: o casal resolve viver em menos de duas horas um completo jogo da verdade, dialogando tudo que viveram e questionando as próprias atitudes no relacionamento. Qual conceito da fidelidade? Como acreditar no amor eterno? O que motiva o desejo? O filme propõe a realidade dos erros e acertos do amor, coloca em questão as fraquezas humanas bem como os vícios do caráter, eis a psicanálise do ser humano em plenitude cinematográfica. É muita intimidade, muita sensualidade a dois, repleto de sincronismo e cinismo sentimental. Arnaldo Jabor dirige e roteiriza com precisão detalhada o filme, repleto de falas indagadoras - os diálogos questionam traição, solidão e desejos. O casal extravasa seus ressentimentos, mágoas e ofensas sobre as próprias dores. O foco é no delírio da intimidade, no conflito de um para o outro. Altamente intenso e poético, uma espécie de playground psicológico. Um cult-movie feito para refexão sobre os laços de amor e desejo. A proximidade com a realidade e o monólogo dos personagens proporcionam uma identificação gostosa com o filme. O sexo é o ápice de um relacionamento? E o amor? O que conceitua um relacionamento? É necessário ter esperança no desejo de amar o outro? Como perdurar o sentimento vibrante? Há certa tensão sensual no filme, mas prevalece mesmo os questionamentos sobre o amor-paixão. Um importante filme do cinema nacional, recomendável aos amantes incondicionais.

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